quinta-feira, 14 de julho de 2022

PF prende sete pessoas por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro no RN

Uma operação da Polícia Federal nessa quarta-feira (13) prendeu sete pessoas no Rio Grande do Norte em cumprimento a determinações da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal no RN para desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Outras quatro pessoas estavam sendo procuradas aqui no Estado nessa quarta, no âmbito da mesma operação, segundo informou a Polícia Federal.

 

No total, a operação ‘Maritimum’ buscava cumprir 46 mandados de prisão preventiva e 90 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Norte, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará e Pará. No RN, três dos sete mandados de prisão foram cumpridos na Cadeia Pública de Natal. Os presos foram encaminhados para triagem no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Parnamirim e depois seriam encaminhados à sede da PF em Natal. 

As investigações da Polícia Federal começaram no final do ano passado. Durante o transcorrer do Inquérito Policial foram realizadas apreensões de drogas nos Portos de Santos (SP), Salvador (BA), Natal (RN), Fortaleza (CE) e Barcarena (PA), além da interceptação de cargas nos países europeus de destino (Bélgica, França e Países Baixos), totalizando cerca de 8 toneladas de cocaína apreendidas durante o curso da investigação. 

 

No RN, a apreensão da droga ocorreu no município de Areia Branca, mas até o fechamento desta edição, a PF não havia informado a quantidade de cocaína interceptada no Estado. De acordo com a Polícia Federal, durante as investigações, foi identificado um grupo logístico responsável pelo transporte e armazenamento da droga oriunda da fronteira do Brasil com os países produtores.

 

Esse grupo realizava a ‘contaminação’ de contêineres, ou seja, introduzia entorpecentes nas cargas de frutas e outras mercadorias que teriam como destino os portos da Europa. A atuação se dava nos terminais do Nordeste e Sudeste e tinha como bases as cidades de Natal e Salvador (BA) e a Região Metropolitana da Baixada Santista.

 

A Polícia Federal também identificou que três dos maiores traficantes em atividade no Brasil eram os destinatários dessa droga no exterior, um deles preso recentemente na Hungria. A PF informou que além dos integrantes do núcleo operacional da quadrilha, diversas pessoas físicas e empresas foram utilizadas para lavar o dinheiro do crime, com a ocultação e dissimulação da origem dos valores ilícitos. 

 

O objetivo, segundo as investigações, era criar uma rede estruturada de tráfico internacional de drogas por intermédio da exportação de mercadorias. Foram bloqueados R$ 169,6 milhões nas contas bancárias dos investigados. A operação ‘Maritimum’ contou com a participação de 350 policiais federais, de 28 policiais do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio Grande do Norte (BOPE-PM/RN) e de oito policiais penais do RN.

 

Os presos responderão, na medida das suas participações, pelos crimes de integrar organização criminosa (art. 2º da Lei nº 12.850/2013); tráfico internacional de drogas (art. 33, caput c/c 40, inciso I, da Lei 11.343/2006) e lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei 9.613/1988), dentre outros em apuração.

 

Prisão

 

A Polícia Federal não divulgou informações sobre os destinatários da droga no exterior, alegando que, por norma, não cita nomes de investigados ou condenados. A corporação afirmou, no entanto, que um desses destinatários “foi preso recentemente na Hungria”.

 

Há pouco menos de um mês, no dia 21 de junho, o ex-major da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho, foi preso em Budapeste, na capital húngara, pela Polícia Federal daquele país. Major Carvalho, conhecido como ‘Pablo Escobar Brasileiro’, é apontado como o chefe de operações internacionais que utilizam vários portos do Brasil, incluindo o de Natal, para o tráfico de drogas.

 

O esquema tinha como principal método o Rip On/Rip Off, que consiste na quebra do lacre do contêiner, inserção da droga (Rip On) e colocação de outro lacre, sem conhecimento do exportador/importador da carga lícita. Na descarga no destino, há o movimento inverso e o contêiner é reaberto para retirada da droga (Rip Off).

 

A Receita Federal explicou que a droga costumava chegar ao  Porto de Natal através dos caminhões dos contêineres, isto é, com a carga já contaminada. Em alguns casos, o entorpecente era embalado a vácuo e misturado com mostarda, para enganar cães farejadores. Como o terminal exporta apenas frutas e pescados, a droga era ocultada nas cargas refrigeradas. 

 

No esquema específico comandado pelo Major Carvalho, o crime se organizava em três grandes grupos: “Márcio Cristo” e “Zoio”, com ações em Paranaguá (PR) e “Logístico”, em São Paulo. A capital potiguar faria parte de um subgrupo vinculado ao “Logístico”, intitulado “Barcos Natal” e “Frutas Nordeste”, que incluía, ainda, cidades como Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

 

No caso do “Logístico”, o papel do grupo seria receber, armazenar e transportar para quem atuava diretamente na exportação de cocaína, como o Grupo Barcos Natal, segundo a Justiça Federal. Esse grupo seria chefiado por Lenildo Marcos da Silva, o “Cabeça”, ligado ao Major Carvalho. As apreensões de cocaína que passaram pelo Porto de Natal totalizaram 17 toneladas, em quatro anos (de 2017 a 2021).

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